quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Governo justifica caos da segurança pública em Pernambuco pela crise econômica

"A necessidade de gerar empregos e colocar crianças na escola, por exemplo, é uma realidade de todo país que está em crise. E nós estamos", destacou o secretário Alessandro Carvalho

Rodrigo Passos

Folha-PE

A crise econômica repercute na criminalidade de Pernambuco. O aumento na taxa de desemprego, que em junho deste ano chegou a 13,5% na RMR, aliado ao aumento na inflação e dos juros, são apontados pela Secretaria de Defesa Social (SDS) como fatores que influenciaram no crescimento da violência. A taxa de homicídios cresceu 15,6% em julho passado em relação ao mesmo período de 2014.

Houve também aumentou de investidas a bancos, com alta de 140% nos assaltos às agências e de 125% nos roubos a caixas eletrônicos com usos de explosivos. Ações que levaram à SDS a lançar ontem uma ofensiva, com blitze nos principais corredores bancários do Recife, como as avenidas Caxangá e 17 de Agosto.

“A necessidade da geração de empregos e colocar crianças na escola, por exemplo, é uma realidade de todo o país que está em crise. Posso afirmar que, por isso, há mais gente no crime”, avaliou o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, durante coletiva que divulgou os índices no Estado.

Os caixas eletrônicos, ressaltou, têm sido alvo principal dos bandidos. Entre roubos e furtos consumados e tentados, foram 48 de janeiro a agosto de 2014 e 50 no mesmo período deste ano, realizados com pé-de-cabra e maçarico.

E quando levado em consideração os registros de casos com uso de explosivos, a situação preocupa. Foram 16 no ano passado, contra 36 em 2015 (125%). “Temos duas grandes obras no Estado: a transposição do rio São Francisco e a Transnordestina, onde são usados explosivos. Muitas pessoas foram treinadas para isso e, com a redução das obras e a falta de controle, usam para o crime”, observou.

Nas agências, entre consumados e tentados, foram 12 casos em 2014 e 35 em 2015, entre janeiro e agosto. Quarenta e duas pessoas foram presas. Antes eram realizados por quadrilhas, mas atualmente muitos são “aventureiros”. O alvo mais frequente são cidades próximas às dividas interestaduais. Nesse caso os criminosos são de Estados vizinhos.

Ação

Para conter o avanço na RMR, a Polícia Militar vai fazer blitze nos corredores que têm instituições financeiras. O foco principal será na abordagem de motocicletas que levam dois homens. Além disso, policiais também vão circular no entorno dessas regiões. Enquanto isso, a Polícia Civil ganhará reforço de mais um delegado na Delegacia de Roubos e Furto, que passará a ter três gestores.

Cobranças

Apesar do crescimento de 15,6% nos homicídios - foram 257 em julho do ano passado e 297 neste ano -, o mês de julho, segundo a SDS, teve o segundo melhor resultado deste ano, com o aumento de 16% no número de armas apreendidas. Segundo Carvalho, os resultados não são melhores por causa da renúncia de alguns policiais civis ao Plano de Jornada Extra (PJE).

“Uma unidade de plantão foi encerrada no Sertão, e seis na Zona da Mata e Agreste, e mais seis na RMR. Lamento, pois o Estado já passou do limite do comprometimento da receita corrente líquida e há um prejuízo à segurança com essa postura que não vai trazer retorno”, afirmou. A estimativa é de que ainda neste mês 1.107 soldados da PMPE estejam aptos para ir às ruas, um reforço que representa quase 5% no efetivo total, que é de 21 mil.

Além disso, o Estado já tem um concurso autorizado para a contratação de 100 delegados, 500 agentes, 50 escrivães e 316 cargos variados da Polícia Científica. Sendo otimista, a esperança é que esse quadro esteja disponível no prazo de um ano. Assim, deverá facilitar a gestão de dados e reforço em áreas que apresentam maior vulnerabilidade.

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