terça-feira, 15 de setembro de 2015

Pernambucana é vítima de racismo na internet

Foto da gestora ambiental foi originalmente publicada na página Beleza Negra PE

Foto: Reprodução/ Facebook

JC Online

A gestora ambiental pernambucana Dandara de Oliveira Marques, 25 anos, se surpreendeu no último final de semana ao perceber que uma foto sua, publicada da página do Facebook Beleza Negra PE, havia sido compartilhada por um usuário da rede social com comentários ofensivos e racistas. Na publicação, o homem do Estado de São Paulo escreveu: "Me de (sic) uma caixa de fósforo q faço progressiva nessa infeliz", referindo-se ao cabelo da mulher.

As reações à postagem foram instantâneas. Através do mesmo site, amigos da gestora e vários outros usuários que sequer a conhecem se mostraram revoltados com os insultos. "Falar o que de um infeliz desses? Repugnante! Canalha", disse um internauta. "Que absurdo. Até quando o ser humano vai se maltratar? Até quando o ser humano vai precisar humilhar e denegrir pra se sentir superior?", questionou outra usuária. O Afoxé Omô Nilê Ogunjá, do qual Dandara integra o corpo de dança, publicou em sua página uma nota de repúdio a respeito da publicação. No texto, o grupo ressalta que ela não está sozinha e que a apoiará em todas as medidas jurídicas relacionadas ao caso.

"Como mulher negra, já sofri preconceito diversas vezes. Do jeito como aconteceu dessa vez, no entanto, nunca tinha acontecido. Ninguém nunca tinha sido racista comigo assim, abertamente, em uma rede social", afirmou Dandara. "Espero que as pessoas que disseminam esse ódio saibam que, nós, negros, conhecemos nossos direitos e vamos lutar para que cada uma delas seja punida pelo que fazem", concluiu.

Na tarde desta segunda-feira (14), Dandara procurou a Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos, na área central do Recife, para registrar um Boletim de Ocorrência pelo crime de injúria racial. Ao sair da delegacia, a gestora se dirigiu ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), onde conversou com Wester Conde, promotor de Direitos Humanos do órgão. “O promotor estava atarefado, mas falou rapidamente comigo. Ele disse que o fato de o agressor ser do Estado de São Paulo dificulta um pouco as coisas, mas pediu para que eu voltasse nesta terça ao MPPE para que ele pudesse me orientar com mais calma”, explicou a gestora. “Não vou desistir de fazer justiça”, finalizou.

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