quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Grupo desarticulado na 'Hipócrates' extorquiu R$ 5 milhões de pacientes

Dois médicos, vereador e mais seis pessoas foram presas em Pernambuco. Organização captava pacientes para cirurgias sem necessidade, diz polícia.

Do G1 Caruaru

A organização criminosa desarticulada na "Operação Hipócrates" cobrava de R$ 4 a R$ 12 mil por cirurgia em cada paciente e extorquiu aproximadamente R$ 5 milhões das vítimas nos últimos dois anos, em Pernambuco, segundo a Polícia Civil. Dois médicos, um vereador e mais seis pessoas foram presas nesta quarta-feira (11). O grupo é suspeito de captar pacientes na rede pública para "realização de cirurgias sem indicação de necessidade" na rede privada.

Dos nove mandados de prisão emitidos pela Justiça, apenas um não foi cumprido e o suspeito está foragido. A Polícia Civil divulgou o resultado da ação na tarde desta quarta-feira, em uma coletiva de imprensa no Recife.

Material apreendido na Operação Hipócrates, da
Polícia Civil (Foto: Reprodução/Polícia Civil)

A operação objetivou prender suspeitos de corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, lesão corporal e de integrar uma organização criminosa. As buscas foram realizadas em Caruaru, Agrestina, São Caetano, Tacaimbó e no Recife. A investigação teve início em julho deste ano e durante as buscas nesta quinta-feira foram apreendidos um revólver calibre 38, dez computadores e vários documentos, que ainda serão analisados pela polícia.

De acordo com a Polícia Civil, as pessoas investigadas na operação são suspeitas de captação de pacientes na rede pública de saúde para atendimento na rede privada, atraso na prestação de serviços para estimular o pagamento indevido de valores pelos pacientes e familiares, utilização de material cirúrgico além da quantidade prescrita e realização de cirurgias sem indicação de necessidade.

O líder do grupo é suspeito de atuar na captação de pacientes, tráfico de influência e cobrança indevida de valores para serviços públicos. Seis envolvidos são suspeitos de captação de pacientes. Um deles é considerado foragido da polícia.

O médico Pablo Thiago Cavalcanti é suspeito de realizar cirurgias na rede privada com pacientes da rede pública, de procedimentos cirúrgicos sem indicação de necessidade e uso de material ortopédico além do prescrito. O médico Bartolomeu Bueno Motta é suspeito de corrupção passiva. Ambos atuavam no Hospital Regional do Agreste (HRA), em Caruaru.

Outro médico e uma servidora de saúde receberam mandado de condução coercitiva. Ele é suspeito de realizar cirurgias de na rede privada com pacientes da rede pública, enquanto ela é suspeita de captação de pacientes.

Polícia conclui 'Operação Hipócrates', em Caruaru
(Foto: Joalline Nascimento/ G1)

Médicos presos
Os médicos Bartolomeu Motta e Pablo Thiago foram presos nesta quarta-feira (11) e já estão na Penitenciária Juiz Plácido de Souza em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. Eles estão na mesma cela, que tem televisão e cama, de acordo com a direção da unidade prisional. Os advogados dos suspeitos informaram que, por enquanto, não irão se pronunciar sobre o assunto, pois estão tendo acesso aos autos.

Cremepe e Simepe
G1 entrou em contato com a assessoria de imprensa do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). Mas, até o momento da publicação desta matéria, não houve resposta. O G1também conversou com diretor regional do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Paulo Maciel. Ele informou que não irá se pronunciar até obter mais informações sobre o caso.

Entenda o caso
Clínicas, consultórios médicos e casas do Agreste e do Recife, além do Hospital Regional do Agreste (HRA) e um hospital particular de Caruaru, foram os lugares abordados pelos policiais. Participam da operação 100 policiais civis, entre delegados, agentes e escrivães.

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