sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Ministério da Saúde recomenda que pernambucanas evitem engravidar agora

Folha de Pernambuco

O crescimento do número de casos de microcefalia em Pernambuco acendeu o alerta. Para o diretor do departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, o melhor procedimento que pode ser adotado por mulheres pernambucanas que planejam engravidar é adiar isso até que haja maior clareza sobre as causas do aumento de casos de bebês com microcefalia no Estado. Segundo Maierovitch, o ministério também está apurando ocorrências da doença nos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte com base em relatos de profissionais de saúde dos estados, mas as secretarias estaduais de saúde ainda não têm os números organizados. A situação já foi comunicada à Organização Mundial de Saúde e à Organização Pan-Americana de Saúde, conforme protocolos internacionais de notificação de doença.

A Secretaria Estadual de Saúde informou que lançará, nos próximos dias, um protocolo de recomendações exclusivas para o acolhimento das gestantes. O cenário de emergência, marcado por 141 registros, em apenas 15 dias, deve mudar a rotina de atendimento nos consultórios. Várias mulheres procuraram nesta quinta-feira (12) as unidades de saúde de referência no tratamento, como o Imip e o Hospital Universitário Oswaldo Cruz, ambos na área central do Recife, em busca de esclarecimentos sobre a doença. No Oswaldo Cruz, apenas pela manhã, seis crianças com a má-formação receberam atendimento na ala de isolamento infantil. A Secretaria Estadual de Saúde assegurou que um grupo de trabalho está em andamento no órgão, auxiliando na investigação dos casos, em consonância com as deliberações do Governo Federal.

Para especialistas, apesar do sinal vermelho, não é motivo para pânico ou de abandonar o sonho da maternidade. O olhar de perto de um profissional médico, com a manutenção de exames como a ultrassonografia, são os caminhos apontados para deixar as mães mais tranquilas e seguras. “A palavra de ordem no momento é a investigação. É preciso considerar não apenas o aporte infeccioso, mas todos os complicadores genéticos. Estamos falando de um mal que não tem cura assegurada, mas que pode ter melhores resultados, caso acompanhado de perto desde os primeiros meses de gravidez”, explica a infectologista Regina Coeli.

Regina destaca que o período central de atenção está nos quatro primeiros meses da gestação, quando o cérebro do bebê é formado. Durante solenidade no Palácio do Campo das Princesas, o governador Paulo Câmara se mostrou preocupado com a situação. “Estamos conscientes de que será necessário um longo trabalho para identificar as causas e evita-las no futuro. É do nosso conhecimento que a influência maior foi no início do ano, já que essas crianças estão nascendo agora. Queremos uma retrospectiva que apresente resultados com celeridade”, afirmou.

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