terça-feira, 17 de novembro de 2015

Vice - Prefeito de Gravatá vai a justiça para assumir cidade

Rebeca Silva

Repórter do Blog

A escolha do governador Paulo Câmara (PSB) de indicar o chefe da Casa Militar, coronel Mário Cavalcanti, como o interventor de Gravatá, a 82 quilômetros do Recife, gerou um mal-estar com o atual vice-prefeito da cidade, Rafael Prequé (PSB), que também integra a legenda. Insatisfeito com o fato de sequer ter sido procurado pelo partido para opinar na nomeação, Prequé afirmou que seus advogados já preparam uma ação para requerer na Justiça o direito de assumir o cargo. A iniciativa é possível porque ele não foi prejudicado pelo processo que afastou Bruno Martiniano (sem partido) do governo municipal.

“Vou atrás do meu direito. O substituto original que foi outorgado pelo povo sou eu. Não sou vice de interventor, sou vice-prefeito. Gravatá não precisa trazer ninguém de fora”, disse Prequé. Para ele, a decisão de Câmara foi política. Segundo ele, mesmo sem o aparente apoio do PSB, cujo partido seu pai, o vereador Luiz Prequé também faz parte, irá disputar as eleições para a prefeitura no próximo ano. Questionado sobre uma possível filiação a outra legenda, ele afirmou que só irá falar sobre questões partidárias em 2016, mas deixou claro que a escolha do governador trouxe máculas na relação com a cúpula socialista. “A gente vê que não é bem-vindo. Sou do PSB, meu pai também, ajudei em todas as campanhas do ex-governador Eduardo Campos e do atual Paulo Câmara, e não fui procurado. Não vejo o porquê de meu nome ser indeferido”, acrescentou.

De acordo com o líder do governo na Assembleia Legislativa de Pernambuco, Waldemar Borges, a indicação não teve componente político por se tratar de uma atribuição obrigatória do Chefe do Executivo estadual. “Foi uma decisão do governador para fazer cumprir a lei. Não houve nenhuma relação com partido ou questões políticas”, refutou o deputado. Mário Cavalcanti é ex-ajudante de ordens do ex-governador Miguel Arraes. Em anúncio oficial hoje, no Palácio do Campo das Princesas, Paulo Câmara falou que tomou a medida “visando o estabelecimento da normalidade do município, para que qualidade de vida melhore”. Cavalcanti começa a trabalhar amanhã, na seleção de nomes que atuarão como auxiliares na gestão.

A intervenção na cidade foi decretada, na noite de ontem, por unanimidade pela Corte Especial do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), após um pedido de liminar do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Durante investigação, o órgão encontrou irregularidades praticadas na prefeitura, como superfaturamento no contrato de recolhimento do lixo, perda do certificado do aterro sanitário, favorecimento de empresas em contratos, falsificação de processo licitatório, ausência de recolhimentos previdenciários e obstrução aos trabalhos dos auditores do Tribunal de Contas do Estado. Também há indícios de corrupção e improbidade administrativa.

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