quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Lupi alega ilegitimidade de Cunha e diz que Dilma pode 'contar com PDT'

Presidente do partido afirmou que deputados defenderão mandato dela. PDT tem 19 deputados; Dilma foi filiada à legenda antes de ir para o PT.

Por Filipe Matoso

Do G1, em Brasília

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, afirmou nesta quinta-feira (3) que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não tem legitimidade para aceitar pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff e afirmou que a petista "pode contar" com o partido, que tem 19 deputados.

No início da noite desta terça (2), Cunha chamou jornalistas para uma entrevista no Salão Verde da Câmara na qual anunciou sua decisão de aceitar o pedido de impeachment de Dilma movido pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior. O peemedebista negou motivação política, mas afirmou que o pedido atendia à legislação.

Menos de duas horas depois, Dilma convocou a imprensa para um pronunciamento no Palácio do Planalto. Em sua fala, ela negou ter cometido "atos ilícitos", se disse indignada com a decisão de Cunha e afirmou que são "inconsistentes e improcedentes" as razões que fundamentaram o pedido.

"Isso já uma questão fechada a nível nacional no PDT, há uma decisão que é nacional: nós não vamos aceitar nenhum voto no nosso partido que seja contra a presidenta. Nós não aceitamos o impeachment porque falta legitimidade ao presidente Eduardo Cunha porque ele é investigado na Operação Lava Jato e nós também achamos que ele nem podia estar na Presidência da Câmara", disse Lupi ao G1

"E digo mais, não só a presidenta Dilma, mas o país todo ponde contar com o PDT, com os nossos 19 votos na Câmara favoráveis à presidente. É uma afronta à democracia e um jogo ilegal e imoral de quem não tem legitimidade para fazer isso", acrescentou Lupi, que comandou o Ministério do Trabalho no primeiro mandato da petista.

Mais cedo, Dilma comandou no Palácio do Planalto reunião com o vice-presidente da República, Michel Temer, e com os ministros Jaques Wagner (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Edinho Silva (Comunicação Social), quatro dos principais conselheiros políticos da presidente na Esplanada.

Além disso, o chefe da Secretaria de Governo chamou ao  seu gabinete no Planalto os líderes dos partidos que compõem a base aliada da presidente Dilma na Câmara dos Deputados para, segundo o líder do governo na Casa, José Guimarães (PT-CE), definir as estratégias que serão adotadas contra o processo de impeachment.

Nesta quinta, deputados do PT disseram que vão acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar barrar o processo, sob a alegação de que houve abuso de poder por parte de Eduardo Cunha na abertura do impeachment.

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