quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Sobe o número de bancários com problemas psicológicos após assaltos a bancos em PE


Com a onda de investidas criminosas contra instituições financeiras em Pernambuco, aumentou a incidência de bancários afetados por problemas psicológicos em decorrência da violência nas agências. De acordo com o Sindicato dos Bancários de Pernambuco, apenas neste ano, mais de 100 funcionários de bancos foram vítimas de assaltos e sequestros em todo o estado. Desses, 15 pediram afastamento dos cargos, após adoecerem por causa desse tipo de crime.

No ano passado, o número de pessoas afastadas pelo mesmo motivo foi de 13, dois a menos que neste ano. Ainda de acordo com o Sindicato dos Bancários, ao longo dos últimos cinco anos, outras cinco pessoas chegaram até a ser aposentadas, após desenvolverem doenças psicológicas decorrentes de assaltos e sequestros. Entre as queixas, estão paranoia, síndrome do pânico, estresse pós-traumático e depressão.

De acordo com o secretário de Assuntos Jurídicos do Sindicatos dos Bancários de Pernambuco, João Rufino Filho, nos casos mais graves, as pessoas chegam até a desenvolver intolerância ao local de trabalho. “Já tivemos contato com pessoas que, após esse tipo de experiência, pensam estar sendo seguidas a todo o tempo e têm medo de tudo. Não é incomum, por exemplo, alguém ter síncopes e vômitos nos bancos onde trabalham, tudo isso devido ao trauma”, explicou.


Este era o caso da ex-bancária Juvina Aragão, de 56 anos. Agora aposentada, ela sofreu um assalto em 2001 e, em 2002, chegou a ser mantida refém por assaltantes e ter uma arma apontada para a barriga. “Na agência, 12 homens quebraram o vidro. Deitei no chão e não consegui mais levantar. Eles diziam que iam ‘estourar meus miolos’ e eu não tinha reação”, disse. À época, Juvina tentou trabalhar por cerca de dois anos, com sintomas como pressão alta, taquicardia e completa aversão ao ambiente de trabalho.

Em 2004 ela foi afastada e, em 2007, foi aposentada por invalidez. “Não tenho uma vida normal. Até hoje, só saio de casa para ir à igreja ou ao médico e tomo três remédios controlados. Antes de ser afastada, cheguei a ter três psicólogos na rede pública de saúde, porque o banco não me ajudou. Eu tinha crises de choro todos os dias e, mesmo com o atestado, diziam que seria demitida se não fosse trabalhar”, afirmou.

De acordo com a professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e psicóloga especializada em psicologia jurídica Elaine Costa Fernandes, o tratamento psicológico nesses casos é fundamental. "Para quem sofre um trauma, a psicologia não é um luxo, é necessidade. Não se pode ignorar o impacto da violência no psiquismo de cada um, que se apropria dessas situações de formas diferentes. O nível de vulnerabilidade é muito alto", explicou.

Ainda segundo Elaine, atos cotidianos passam a ser grandes desafios na vida de quem sofre um trauma grande. "A pessoa se sente desprotegida e perde a confiança em muita coisa. Há casos em que doenças psicossomáticas podem surgir, como dores de barriga ou de cabeça, insônia e até mesmo o desenvolvimento de cânceres. O problema vira uma bola de neve”, disse.

Prisões: Entre os meses de janeiro e novembro deste ano, a Polícia Civil de Pernambuco indiciou 272 pessoas suspeitas de envolvimento em roubos e furtos contra instituições financeiras no estado. No mesmo período, foram registrados 130 casos na modalidade especial de crimes contra o Patrimônio, que inclui roubo ou furto a agências bancárias, caixas eletrônicos e carros fortes. (Via: G1 PE)

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