quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

PMs enterram o Pacto Pela Vida em protesto na praia de Boa Viagem

Foto: Bruno Cantarelli/Divulgação

    

Em queda de braço com o Governo de Pernambuco, policiais e bombeiros militares do Estado realizaram, nesta quarta-feira (18), um protesto para reivindicar melhorias no Pacto pela Vida. Na praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, foram colocadas cruzes na faixa de areia para rememorar as vítimas da violência, em um enterro simbólico do programa de segurança estadual.

As cruzes foram colocadas ao lado do posto 6 do Corpo de Bombeiros, para onde seguirá uma caminhada dos manifestantes que sairá esta tarde do trecho em frente ao Internacional Palace Hotel, um percurso de 500 metros. Para o presidente da Associação de Cabos e Soldados de Pernambuco, Alberisson Carlos, “o governo não tem tratado a classe como deveria”.

Foto: Bruno Cantarelli/Divulgação

Para pressionar o governador Paulo Câmara (PSB) por reajustes salariais para a tropa até 2018, como foi feito com a Polícia Civil, os PMs e bombeiros estão em “operação padrão”, sem cumprir o Programa de Jornada Extra de Segurança (PJES), que preenchia lacunas na escala da segurança. O governo retirou representantes de associações desses profissionais da mesa de negociação e elabora o projeto de lei que será encaminhado à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) com o comandante-geral da PM, Carlos D’Albuquerque.

A previsão é que a minuta esteja concluída até fevereiro, quando os deputados voltam do recesso. Diante do quadro de crise na segurança, a bancada de oposição ao socialista na Alepe defende o retorno para votar o projeto de aumento salarial.

Foto: Bruno Cantarelli/Divulgação

Desde que os policiais e bombeiros militares anunciaram que iriam trabalhar em operação padrão, muitos pernambucanos ficaram apreensivos com a possível redução do efetivo nas ruas do Estado. Na última greve da PM, em maio de 2014, houve clima de violência e saques a lojas na Região Metropolitana do Recife.

O programa que era vitrine da gestão do ex-governador Eduardo Campos (PSB) vem tendo resultados negativos desde 2014, quando o socialista deixou o governo estadual para disputar a presidência e morreu durante a campanha. Naquele ano, houve um aumento de 10% no índice de crimes letais intencionais, analisado no pacto. Só em 2016 foram registrados mais de 4,4 mil assassinatos

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