terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Prefeitos do RJ decretam calamidade financeira

Três prefeitos do estado do Rio decretam calamidade financeira de municípios

Por iG São Paulo 

Menos de uma semana após tomar posse, três prefeitos do Rio decretaram calamidade com duração de 120 dias, podendo ser prolongado

Reprodução/Facebook Rogério Lisboa

Prédio da prefeitura de Nova Iguaçu será reformado, segundo afirmou o prefeito Rogério Lisboa

Os novos prefeitos das cidades de Nova Iguaçu, São Gonçalo e Mesquita, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, decretaram calamidade financeira nos municípios três dias depois de tomar posse dos municípios. Em todas as três cidades há problemas de contas públicas, salários de funcionários públicos atrasados, corte de energia e serviços paralisados por falta de pagamento, como a coleta de lixo, por exemplo.

O decreto de calamidade financeira terá duração de 120 dias, podendo ser prorrogado pelo menos período em caso de não solução da situação da cidade.

Nova Iguaçu

A folha de pagamento dos servidores públicos de Nova Iguaçu está atrasada por meses seguidos, além de sofrer com um regime previdenciário em “virtual estado de insolvência”, segundo o decreto feito pelo prefeito Rogério Lisboa nesta segunda-feira (2).

Em seu primeiro dia de mandato, o novo prefeito da cidade visitou as instalações da prefeitura e encontrou diversos problemas de estrutura, segundo a assessoria contou à Agência Brasil. Segundo foi divulgado, o lugar apresenta salas sem janelas e ar-condicionado, falta d’água, infiltrações nas paredes, que estão com mofo, além de possuir infestação de ratos e baratas. Por isso, até o próximo dia 15, o prédio estará fechado e, portanto, não atenderá a população.

A reconstrução do prédio foi explicada por Lisboa em nota oficial, em que diz que se trata de uma emergência. “Minha meta é pagar os servidores, mas chegamos à conclusão de que a reconstrução física do prédio da prefeitura é questão emergencial. Funcionários que não têm condições dignas de trabalho não atendem bem à população. O patrimônio está deteriorado", afirmou.

Além disso, Lisboa disse em sua conta no Facebook  que fará cortes significativos nos custos da administração. “O gabinete do prefeito voltará em breve à prefeitura. Não faz o menor sentido o município arcar com um custo de R$ 30 mil/mês para alugar um espaço em separado, que inclusive é de difícil acesso. Faremos também uma redução dos cargos comissionados, além de revisão dos muitos contratos de aluguel que hoje somam algo em torno de R$ 600 mil/mês”.

 São Gonçalo

Já o prefeito da cidade de São Gonçalo, José Luiz Nanci, afirmou ter assumido a prefeitura ‘no escuro’, com a luz cortada por falta de pagamento. Porém, após uma reunião com os representantes da concessionária de energia, ele conseguiu religá-la.

“Também estamos com lixo por toda a cidade. Estamos conversando com a empresa coletora de lixo que está há oito meses sem receber e a dívida situa-se entre R$ 35 milhões e R$ 40 milhões. A dívida total do município deve estar entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões, o que é metade do nosso orçamento”, disse Nanci.

De acordo com o novo prefeito, o pagamento dos salários de dezembro e o 13º salário dos servidores municipais estão atrasados. Assim, ele traçou como prioridade o pagamento de salário e a diminuição do número das secretarias e de funcionários contratados. “O problema não é só em São Gonçalo, mas de todo o estado do Rio”, defendeu.

Mesquita

Na cidade de Mesquita, o cenário não é mais animador: o prédio principal está sem condições de trabalho, segundo o novo prefeito, que também afirmou que há muito lixo na rua, e que os salários estão atrasados há dois meses – assim como o 13º salário também atraso.  “Teremos que ser muito austeros nas contas. Pedimos à população um pouco de calma”, pediu.

Em decreto, o prefeito determinou a paralisação por 90 dias da Unidade Mista de Saúde Doutor Mário Bento. É em razão da falta de remédios, de materiais médicos e cirúrgicos e pelo fato de a unidade de saúde encontrar-se em um estado precário nos “âmbitos estrutural, administrativo, pessoal e de salubridade”.

Segundo o decreto de calamidade financeira, fica suspenso, por até 15 dias, o atendimento ao público na prefeitura de Mesquita, incluindo o prédio administrativo e seus anexos, para efetivar a transição de governo, realizar auditoria interna e verificar o acervo, entre outras medidas.

 *Com informações e reportagem da Agência Brasil

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