sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Rombo em Camaragibe: Meira aciona até Federal


Magno Martins

Sem ter a menor noção do rombo deixado pelo ex-prefeito Jorge Alexandre (PSDB), o novo prefeito de Camaragibe, Demóstenes Meira (PTB), suspendeu todos os serviços, contratos e licitações, assim como sustou todos os cheques assinados pelo antecessor com data até 29 de dezembro. Suspendeu ainda o contrato com a empresa que recolhe o lixo da cidade, porque o seu valor, acima de R$ 20 milhões, está muito acima da previsão orçamentária do ano para os serviços, de pouco mais de R$ 11 milhões.

Com isso, o lixo, acumulado em vários bairros, no centro e nos distritos, passou a ser recolhido por caçambas da Prefeitura que ele não tem condições sequer de cobrir as despesas com combustíveis alegando que ficou de mãos atadas pelo ex-prefeito. “Tem dinheiro em caixa, algo em torno de R$ 9 milhões, mas se eu usar corro risco de cometer crime, porque não temos a menor noção das suas rubricas”, afirmou.

Segundo Meira, Alexandre não repassou nenhuma informação sobre as finanças do município. “Os arquivos dos computadores foram deletados”, afirma, adiantando que está mergulhado num caos, mas tomando providências. Entre as medidas já tomadas pelo trabalhista, o pedido de uma auditoria ao Tribunal de Contas do Estado, uma queixa prestada à Delegacia Especializada de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio Público e o pedido à Polícia Federal para investigar licitações supostamente fraudulentas com recursos federais, principalmente na área de saúde.

Meira mandou vasculhar todos os contratos assinados pelo antecessor e chamou à polícia para filmar e documentar alguns setores da Prefeitura, como o departamento de licitações. Temendo o pior, o prefeito botou cadeado na sala de licitações tão logo a polícia deixou as dependências da Câmara.

Procuradores concursados da Prefeitura informaram ao blog que nenhum contrato ou licitação nos últimos quatro anos chegavam ao conhecimento da Procuradoria Jurídica do Município. “Todos os contratos e licitações foram feitos sem pareceres nossos”, disse um procurador, adiantando que não tem a menor noção do valor do gasto com contratos mediante licitações fraudulentas, porque nada chegava ao conhecimento da Procuradoria.

Ele, entretanto, desconfia de que esses valores possam ser superiores a R$ 120 milhões com base no orçamento do município de 2016. “Camaragibe teve um orçamento de R$ 280 milhões no ano passado. Deste valor, 60% devem ser comprometidos com pessoal e o restante com despesas contratuais, o que daria uma sobra de R$ 120 milhões”, afirmou o mesmo procurador. O prefeito desconfia que o ex-prefeito deixou de herança um rombo incalculável. 

“Não posso precisar, porque ele não nos repassou nada”, reclama. Meira afirmou que vai abrir para a sociedade a caixa preta do ex-prefeito, que derrotou nas urnas. “Não tenho nada de pessoal contra Jorge Alexandre, mas como fui acusado por ele e adversários de ser despreparado, louco, pobre e incompetente não posso passar um atestado de burrice. A população vai tomar conhecimento da verdadeira herança maldita que recebi”, afirmou.

Meira informou que deve baixar um decreto de emergência para manter os serviços essenciais, protegendo à população do pior. Para isso, ele se reuniu, hoje, com assessores do Tribunal de Contas do Estado e sua assessoria jurídica. “Aqui é tudo transparente”, afirmou, adiantando que, a partir de agora, “está proibido roubar em Camaragibe”.

Para evitar qualquer tipo de desvio do dinheiro público, Meira informou que centralizou tudo em suas mãos, desde contratação de pessoal até contratos emergenciais que venham a ser assinados. Também determinou um levantamento dos servidores concursados que estejam cedidos a órgãos para fazer um verdadeiro pente fino na folha de pessoal. “Aqui, não vai ter mais servidor fantasma”, assinalou.

Por fim, Meira disse que, para evitar qualquer tipo de comportamento indevido de auxiliares no trato com o dinheiro público, irá instalar câmaras em todas as secretarias e órgãos que manipulem dinheiro. “Quero ver tudo documentado pelas câmaras. Este é um governo onde o dinheiro será destinado a projetos que atendam ao povo e não a grupos”, afirmou.

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