terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Família cumpre desejo de jovem e doa corpo para estudo

Pedido foi realizado após campanha criada nas redes sociais e a colaboração de um professor universitário

por Naiane Nascimento

O rapaz foi diagnosticado em outubro de 2015 após sentir fortes dores de cabeçaAcervo pessoal/Rômulo Barud

O instinto de colaboração com a ciência ultrapassou a vida de Gustavo Barud, um rapaz de 23 anos, vítima de um câncer raro no cérebro, falecido na última segunda-feira (13). Seu último desejo foi um pedido diferente, ter seu corpo doado para estudos e pesquisas científicas a fim de ajudar no tratamento de pessoas com seu mesmo problema.

Como é um desejo incomum, sem saber qual seria o procedimento para essa doação, o irmão de Gustavo, Rômulo Barud, iniciou uma campanha nas redes sociais pedindo ajuda para o processo. As mensagens foram circulando até que chegaram ao contato do professor do Programa de Graduação em Anatomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fabio de Almeida Mendes. Ele fez a recepção do corpo para estudos. As informações são do Jornal O Globo.

Antes dessa atitude, através da internet, Rômulo havia procurado o Instituto Nacional do Câncer (INCA) a fim de ter referências dos caminhos que deveria tomar. Mas como ninguém havia pronunciado esse desejo, a entidade não sabia como proceder. 

A luta de Gustavo 

O rapaz foi diagnosticado em outubro de 2015 após sentir fortes dores de cabeça e até desmaios por conta delas. Sem plano de saúde, foi levado ao Hospital Salgado Filho, no Centro do Rio de Janeiro, mas uma simples enxaqueca foi apontada. 

Após estranhar o desdobramento dessas dores e sintomas, foi levado a um hospital particular, onde foi descoberto um tumor muito grande no cérebro. Uma cirurgia com sequelas de perda periférica da visão do olho direito foi realizada e bem sucedida. No entanto, uma biopsia apontou para a presença de outros tumores. 

Porém, depois de realizar a biopsia no tumor os médicos descobriram que aquele não seria o último. Após isso mais oito deles foram descobertos, deixando Gustavo com perdas de reflexo e motoras e seu estado foi se agravando, chegando a falecer na segunda-feira (13). Antes disso, ele sempre deixou claro o desejo de ter seu corpo como instrumento de estudo, segundo o irmão, evitando que outras pessoas sofressem como ele.

Postar um comentário