quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Governador banca Ângelo Gioia que chegou quando a violência explodiu


O governador Paulo Câmara avaliza a estratégia de ação de Ângelo Gioia FOTO: Boby Fabisak

O governador Paulo Câmara assumiu o discurso do secretário de Defesa Social, Ângelo Gioia, que viu sucesso na ação da Polícia contra o grupo armado que atacou a base da Brinks no Recife, segundo ele, frustrando o intento, quando impediu que levasse todo o dinheiro depositado. O governador aposta não haverá outras investidas no Estado devido a ações desse tipo da PMPE.


Paulo Câmara só voltou de São Paulo no fim da tarde do dia do assalto. E parece ter balizado, desde então, nova atitude do seu governo no enfrentamento da crise na segurança, assumindo a linha de frente da comunicação. Ontem, ao falar no Passando a Limpo, da Radio Jornal, o governador procurou ser incisivo nas suas afirmações destacando que a atitude dos policiais no conflito foi proativa. E confrontou a constatação do cidadão comum para quem os bandidos levaram vantagem já que atacaram a polícia, feriram policiais, levaram parte do dinheiro e fugiram ilesos.



Finalmente, questiona o funcionamento da empresa, baseada em liminares obtidas da Justiça, de Brasília, reverberando a análise do secretário sobre a Brinks. Como se pôde ouvir, Paulo Câmara não apenas absorveu o entendimento do secretário Gioia. Ele o banca integralmente, naturalmente sabendo os riscos disso.

A mudança de comportamento do governador é importante, já que tenta estabelecer um diálogo direto com seus eleitores, mas sua dificuldade é apresentar resultados. Por uma dessas perversas curiosidades, o tempo de Gioia na SDS coincide com o pico da violência no Estado, consolidando a sensação de insegurança.

Também é importante observar o risco do discurso de sucesso da Polícia Militar feito pelo governador. Ora, até que sejam presos, os bandidos até agora estão levando vantagem.

O governador também se arrisca ao insistir que a Brinks só funciona por força de liminares. Certo, mas a decisão da Justiça abraçou todas as possíveis irregularidades dela?

Bom, há um fato positivo na nova atitude de Paulo Câmara: admitiu que a crise na segurança atingiu níveis inaceitáveis e que continuará perseguindo uma redução.

Finalmente, insiste na crítica de que grupos trabalham pelo insucesso do trabalho da PM. Pode ser, mas talvez seja bom que na sua nova atitude reduza um pouco a taxa de certeza

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