quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Pernambuco registrou, em média, cinco estupros por dia em janeiro



Ao todo, foram notificados 148 casos de violência sexual, no primeiro mês de 2017, pela Secretaria de Defesa Social. Em 2016, número chegou a 2.196 pessoas abusadas em todo o estado.

Por Pedro Alves, G1 PE



Ao menos cinco mulheres foram estupradas por dia em janeiro de 2017

Nos primeiros 31 dias de 2017, ao menos cinco pessoas foram estupradas, por dia, em Pernambuco. A média foi contabilizada com base nos dados disponibilizados pela Secretaria de Defesa Social (SDS), que registrou 148 casos de violência sexual em todo o estado, no primeiro mês do ano. O Recife lidera o ranking de cidades que mais foram palco de violência sexual, com 31 casos no mês, quase o dobro da segunda colocada, Olinda, que teve 16 ocorrências registradas.


A terceira cidade com o maior número de pessoas estupradas foi Jaboatão dos Guararapes, também no Grande Recife, com 15 casos. Durante todo o ano passado, a secretaria registrou 2.196 estupros em todo o Pernambuco. Isso significa uma média de seis pessoas estupradas por dia no estado.


Além das ocorrências em que houve o registro de Boletim de Ocorrência, a SDS reconhece que, muitas vezes, as vítimas não registram esses casos, o que significa que o número é, na verdade, o mínimo do que realmente pode ter ocorrido nos 184 municípios.


Os dados divulgados pela SDS contemplam pessoas dos dois gêneros, não consideradas vulneráveis (maiores de 14 anos, que não tenham deficiência mental e que possam oferecer resistência). Nos casos de homicídio de mulheres, segundo os índices da SDS, houve um salto de 15%, aumentando de 245, em 2015, para 282 em 2016.



A cada hora, cinco mulheres são vítimas de violência em Pernambuco (Foto: Malu Veiga / G1)

Além dos estupros em 2016, foi registrada uma média diária de 84 mulheres vítimas de violência doméstica ou familiar no estado. Segundo a Secretaria da Mulher, ao todo, foram registrados 50.042 casos de violência contra a mulher no estado, o que significa uma média de cinco mulheres agredidas por hora, em Pernambuco.


Segundo a coordenadora do Serviço de Apoio à Mulher Wilma Lessa (SAM/WL), na Zona Norte da cidade, Mayara Mendes, a incidência de mulheres que sofrem agressão na própria casa é grande, principalmente quando se trata de menores de idade. Segundo ela, o acompanhamento com psicólogos é muito importante para que o trauma interfira menos no dia a dia da vítima. O problema é que, muitas vezes, as vítimas não retornam aos atendimentos.


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O Wilma Lessa, instalado no Hospital Agamenon Magalhães, registrou média de mais de um caso de violência por dia em 2016, com 371 primeiros atendimentos. Destes, quase um terço foi prestado a adolescentes com idades entre 12 a 18 anos, com 110 casos. A maior parcela de vítimas está entre os 19 e 59 anos de idade, com 256 casos. Também houve cinco ocorrências de mulheres idosas, com idade superior a 60 anos.


O centro contabilizou 1.451 assistências no total, resultando em média de quase quatro mulheres por dia. Desse total, 371 foram primeiras visitas ao Wilma Lessa, enquanto os demais foram retornos para acompanhamento clínico, social e psicológico. O balanço também mostra que, destas 371 mulheres, 273 foram ao centro após sofrer violência sexual, 32 por violência física, 62 violência sexual e física e outras quatro por ameaça e violência verbal.


Pernambuco teve 1.146 casos de estupro em 2016

Tanto no Wilma Lessa quanto nos outros centros de atendimento à mulher, as vítimas recebem atendimento médico, medicação adequada para o tipo de violência e, caso deseje, encaminhamento para denunciar o agressor. Ainda segundo Mayara Mendes, é importante que a vítima procure atendimento médico antes mesmo de ir à polícia, porque o tempo para prevenir possíveis doenças é bastante curto. Nos locais onde é feita a coleta de DNA dos suspeitos, por exemplo, há procedimentos que só podem ser feitos até 72 horas depois da agressão, o mesmo para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, por isso a urgência.


Nos centros também é oferecido o serviço de interrupção da gravidez, prevista por lei nos casos de violência sexual. Em 2016, 31 mulheres grávidas chegaram ao Wilma Lessa para interrupção gestacional, relatando violência sexual. Dessas, 23 optaram por realizar o procedimento. A lei prevê assistência segura e humanizada às mulheres.


Rede de proteção

Atualmente, em todo o estado, há dez Delegacias da Mulher, além de dez Varas de Violência Doméstica e Familiar contra Mulher no Tribunal de Justiça de Pernambuco. Existe, também, o monitoramento da distância dos agressores das vítimas, via GPS. Cerca de 400 mulheres utilizam essa tecnologia no estado.


No monitoramento por geolocalização, os agressores têm que utilizar tornozeleiras eletrônicas que, ao aproximar-se das vítimas, dispositivos GPS emitem sinais para que a vítima procure ajuda e que a polícia contate o agressor e o adverta a se distanciar. Caso ele não obedeça, viaturas da PM se deslocam ao local para confrontá-lo.


Locais: Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam) - Recife; Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) - Recife; Hospital da Mulher do Recife - Recife; Hospital e Maternidade Petronila Campos - São Lourenço da Mata; Maternidade Arnaldo Marques - Recife; Policlínica Agamenon Magalhães - Recife; Maternidade Bandeira Filho - Recife; Unidade Mista Prof. Barros Lima - Recife. 4a GERES: Hospital Jesus Nazareno - Caruaru. 7a GERES: Hospital Regional Inácio de Sá - Salgueiro. 8a GERES: Hospital Dom Malan - Petrolina. 11a GERES: Hospital Professor Agamenon Magalhães - Serra Talhada.


SERVIÇO DE APOIO À MULHER WILMA LESSA: Estrada do Arraial, 2723, Casa Amarela - Recife/PE Telefones: (81) 3184-1739 / 3184-1740


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