segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Sobre rodas, ambulante vende dudu e ganha mais de R$ 5 mil

Além do vendedor que inovou ao trabalhar de patins, outras famílias fazem do dudu uma importante fonte de renda

por Roberta Patu 

Um olhar diferente e inovador está mudando a vida de um ambulante na capital pernambucana. A velha prática de vender dudu -espécie de picolé - ganhou um novo formato e está dando mais esperança para o vendedor, que refresca centenas de pessoas que trafegam de carro ou a pé, na Avenida Antônio Falcão, bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife.

Com sorriso no rosto, muita simpatia e disposição, o ambulante Técio Lagos não conseguia parar um minuto no semáforo, no qual comercializa o produto, há apenas seis meses. A sua rotina é tão intensa devido à demanda dos clientes, que passam a pé ou nos carros, que foi difícil entrevistar o vendedor. Ele mudou sua vida após ser demitido de um supermercado de bairro.

Sobre os patins e com uma caixa de som a tiracolo, Técio vende o seu ‘peixe’, ou melhor, o seu dudu, que é produzido pela tia, por apenas R$ 1 e vários sabores, em um isopor que precisa ser abastecido com frequência. De acordo com o ambulante, a ideia de comercializar dudu no sinal surgiu a partir do objetivo de aliar o útil ao agradável.

“Com a ideia na cabeça, a princípio, vim para o sinal vender picolé, mas não deu certo! Foi aí que apostei no dudu e estou indo muito bem. Por dia, vendo no mínimo 250 e já penso em aumentar a produção e ter funcionário”, diz o ambulante, que releva já ter adquirido dois freezers para deixar próximo ao local de venda e atender com agilidade os seus clientes, das 9h às 15, diariamente. Sua renda mensal já chegou a passar de R$ 5 mil.   

Para o comerciante, o mais difícil de sua rotina é a recepção de algumas pessoas. “As pessoas nos olham com desprezo como se as pessoas que trabalham na rua, como ambulantes, fossem pobres coitados. E não é isso! Temos uma atuação comum, como qualquer pessoa e se brincar ganhamos tão bem quanto os trabalhadores que estão em empresas”, relata o trabalhador que já recebeu vários convites para trabalhar em companhias. “Não quero mais trabalhar para ninguém! Quero ser meu próprio chefe. É difícil, mas o resultado é recompensador”, conclui Técio Lagos.

Cliente, Daniel Barbosa aprova produto vendido em casa

Brenda Alcântara/LeiaJáImagens


A comercialização de ‘dudu’, ‘dida’ ou ‘sacolé’ no Recife não é atual, mas ainda gera muita renda para algumas famílias que vendem o produto nos bairros ou pelas ruas da cidade, em carrinhos. Como é o caso do senhor Moisés Francisco dos Anjos, de 65 anos, conhecido carinhosamente como ‘Seu Moca’. O ambulante comercializa Dudu, no bairro de Boa Viagem, desde 1997, e decidiu ir para as ruas após ser demitido da segunda sorveteria que atuou.

De acordo com o ambulante, que já trabalhou na fábrica Kibom e numa sorveteria durante quase vinte anos, o mais divertido do trabalho é a rua. “Gosto muito de trabalhar com o público e ficar na rua é o mais divertido porque o tempo passa muito rápido”, conta o vendedor, que mora no Ibura, e traz todos os dias os produtos para comercializar de ônibus.

Ainda conforme Seu Moca, por dia, ele consegue vender bem. “A comercialização depende muito dos dias. Em média, a saída é de 30 a 50 dudus. Mas, para isso, as vezes fico pelas ruas de Boa Viagem e vou para a praia também”, relata Moisés, que oferece o produto por R$ 2 e conta com a ajuda da esposa e da nora para produzir.

Para ajudar na renda da família sem sair de casa, a dona de casa que mora em Campo Grande, Josefa Maria do Nascimento, de 62 anos, relata que começou a fazer os sacolés há quatro anos e que a atividade ajuda nos gastos. “Depois que me aposentei, comecei a produzir e vender, em casa mesmo, e com isso consigo apurar, por semana, aproximadamente, de R$ 250 a R$ 300”, diz a senhora, que garante também que o sucesso da saída dos produtos é a forma de fazer.

Quem também apostou na venda de sacolé foi o casal de idosos que mora em Olinda, Fernando Palácio e Sebastiana, conhecida carinhosamente como ‘Tiana’. Com uma simpatia contagiante, Fernando, que é bancário aposentado, diz que cuida da contabilidade das vendas, mas quem produz é sua esposa. “Começamos a investir no dudu para ajudar na renda, agora, é uma das principais fontes de renda”, fala o aposentado que comercializa o produto a R$ 2.

Segundo Tiana, o sucesso do Dudu é a como ele é preparado. “Fazemos todos eles com leite. Esse é o diferencial. Além disso, preparamos todos eles a partir da própria fruta, o que dá mais sabor e, consequentemente, vendemos mais”, diz a dona de casa. Por dia, o casal consegue vender, aproximadamente, 80 dudus, chegando a apurar por mês mais de R$ 3 mil. 

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