domingo, 26 de março de 2017

Manifestante baleado por PM está consciente, mas ainda respira por aparelhos

Edvaldo da Silva Alves, de 19 anos, participava de protesto contra a insegurança, na rodovia PE-75, quando foi alvejado por um disparo efetuado após um PM

Por: Diario de Pernambuco

O Hospital Miguel Arraes (HMA), em Paulista, divulgou na manhã deste domingo um novo boletim sobre o estado de saúde de Edvaldo da Silva Alves, de 19 anos, manifestante baleado durante protesto por segurança no município de Itambé. O paciente continua internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em melhora lenta e gradual. Edvaldo está acordado, consciente, respondendo a estímulos, mas ainda respira com ajuda de aparelhos. As visitas permanecem restritas à família, nos horários determinados pelo hospital. Um novo boletim deve ser divulgado na próxima terça-feira ou quando e se houver alteração no estado de saúde.

No dia 17 de março, ele participava de um protesto contra a insegurança, na rodovia PE-75, quando foi alvejado por um disparo efetuado após um PM fazer menção a quem levaria um tiro primeiro. Alvejado, sangrando, acabou sendo arrastado por PMs, sendo agredido e jogado na caçamba de uma viatura e depois socorrido para o Hospital Miguel Arraes.

As cenas foram gravadas num vídeo e disponibilizados pela Internet, com um áudio em que moradores do município gritavam contra a ação da PMPE num protesto pelo qual clamavam por policiamento e segurança contra assaltantes. Estudantes e outros moradores da área queimaram pneus e pedaços de madeira, interditando a PE-75 entre os municípios de Itambé e Goiana. PMs tentavam liberar a rodovia, sem sucesso, quando ocorreu o incidente.

Na segunda-feira passada, a Secretaria de Defesa Social informou que instaurou um inquérito policial e um procedimento administrativo para apurar o disparo efetuado por um policial militar contra um manifestante durante um protesto por segurança realizado na sexta-feira passada, no distrito de Caricé, município de Itambé, na Mata Norte.

Em nota, a pasta acrescentou que desde o dia da ocorrência o caso está sendo investigado pela Delegacia de Itambé.  "As ouvidas de testemunhas, tanto dos policiais militares quanto dos manifestantes que estavam no local, já foram iniciadas e continuarão até o esclarecimento dos fatos. É importante esclarecer que em casos de ação penal pública incondicionada, como o fato em Itambé, não é necessário prestar queixa na delegacia. O processo é aberto independentemente de representação. Mesmo assim, o Boletim de Ocorrência (BO) foi realizado e as investigações correm com celeridade. O Comando Geral da Polícia Militar abriu Inquérito Policial Militar para apurar a conduta dos servidores, que foram retirados das funções de policiamento ostensivo até a apuração completa dos fatos. A Corregedoria da SDS também está atuando no caso", diz o documento


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