domingo, 2 de abril de 2017

Canadá se transforma em destino dos pernambucanos

Cursos são até 30% mais barato em relação à Europa e EUA, além do novo programa de isenção em vistos para brasileiros

Por: Vitor Nascimento

Manuela Cavalcanti (foto) investiu no Canadá para aprender francês. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação.
Estudar em outro país é um sonho para qualquer pessoa que deseja, não só conhecer culturas diferentes, como se especializar em alguma área ou até residir por lá. Com a política de imigração imposta pelo Donald Trump, os Estados Unidos está, aos poucos, deixando de ser o país dos sonhos para alguns estudantes. Quem ganhou com isso foi o Canadá, que hoje é o destino mais procurado pelos pernambucanos por ser mais em conta para um intercâmbio. Segundo a Wide Intercâmbio, localizada no Recife, o país desbancou a concorrência da Irlanda, Austrália, Inglaterra e EUA.

O CEO da 'Canadá Sem Fronteiras', Emerson Fernandes, destaca que o custo dos cursos no país é 30% mais barato que em outros lugares da Europa ou até dos EUA. "As instituições são mais receptivas, o processo de aplicação não é burocrático e, dependendo do programa escolhido, o aluno ainda tem a oportunidade de estágio remunerado e até mesmo um visto de trabalho após formado", explica.

Além das facilidades econômicas, o governo canadense anunciou que, a partir de 1º maio deste ano, muitos brasileiros poderão entrar no país sem precisar de visto. Mas essa liberação só vai valer para pessoas que tenham sido residentes temporários do Canadá nos últimos dez anos ou que possuam um visto válido de não imigrante dos Estados Unidos. Para quem está dentro dessas opções, é preciso ainda solicitar uma Autorização Eletrônica de Viagem (eTA). O requerimento em questão deve ser preenchido e custa C$ 7 (dólares canadenses), e está eletronicamente ligada ao passaporte do viajante, além de ser válida por cinco anos ou até que o passaporte expire. Aqueles que não se enquadram nesses critérios ainda precisa solicitar um visto de visitante para viajar ao Canadá.

Para a gerente de marketing da BLI Canadá, escola de línguas em Montreal, Kalli Moraes, o aperfeiçoamento da língua e o investimento em intercâmbio são de ganhos pessoais e profissionais. Segundo Kalli, os custos podem se adequar a cada estudante. "Deve ser levado em conta o custo de vida local. Por exemplo, Montreal é uma da cidades mais baratas do Canadá e isso faz uma enorme diferença no preço final do intercâmbio. Além disso, pode ser feito um parcelamento de acordo com as possibilidade financeiras de cada um, e quem tem até 35 anos pode utilizar a passagem aérea estudante da Air Canadá, que significa uma economia de 15%”, explica. Além disso, a qualidade de vida é um atrativo. Montreal, conhecida como a capital cultural do Canadá, desbancou Paris e passou a liderar o ranking de melhores cidades para estudantes do mundo (QS Best Student Cities 2017).

É por conta desse custo-benefício que o gerente de logística, Edson Júnior, 35 anos decidiu investir em um intercâmbio. Foram cinco anos de planejamento para essa ida ao Canadá. "Além dos custos serem menores, principalmente em relação a outros países, eu fiz algumas reservas e preparei uma poupança, paguei o curso antecipadamente, hospedagem, passagens e o visto. Ao todo, gastei cerca de R$ 9 mil". Para Edson, o desejo de ficar em definitivo no Canadá, junto com a sua família, vai se realizar até o fim do ano. "O meu objetivo é utilizar essa experiência para o meu planejamento de vida, que é morar por lá. Eu quero me adaptar ao mercado, não no começo, mas depois conseguir me firmar com um emprego dentro da minha área", pontua.

Já a ideia de Márcia Fernanda Nunes, 40, gerente de recursos humanos e psicóloga, foi de aproveitar as últimas férias fazendo um intercâmbio. Por isso ela aperfeiçoou o inglês, escolhendo o Canadá pelo mesmo motivo que outros estudantes: os custos mais em conta. "Antes, eu pretendia em ir aos Estados Unidos ou Londres. Mas o custo-benefício pesou e, por isso, decidi mudar de ideia e investir nessa viagem", explica. A estudante de jornalismo Manuela Cavalcanti, 19, investiu em um intercâmbio de seis meses para o Canadá disposta aprender uma nova lígua: o francês. Mas essa escolha se deu, principalmente, pelo suporte do seu irmão, que reside no Canadá. "Meu irmão foi um ano antes de mim, pra saber como era, e depois eu consegui ir. Além disso, na época que eu fui, o dólar americano estava em alta, já o canadense estava mais em conta. Então, isso me ajudou bastante, mesmo que depois eu tenha gastado um pouco a mais do que devia", afirmou.

Mesmo com uma diferença de preço mínima, o Canadá, segundo a Wide Intercâmbio, ficou em segundo lugar no que se relaciona aos preços, que incluem o curso de inglês, a taxa da escola e a acomodação durante o período. Por exemplo, quatro semanas (um mês) na Irlanda custa em média R$ 4.200, já no Canadá, esse preço fica em torno de R$ 4.900. Muito mais em conta do que os EUA, que com a alta do dólar, aumentou o preço para intercâmbio, chegando a R$ 7.100,00, pelas mesmas quatro semanas

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