quinta-feira, 6 de abril de 2017

Vizinho de fisioterapeuta se contradiz em conversa com a polícia

Para os investigadores, ele ainda não é considerado suspeito, mas o homem não soube dizer onde estava no momento do crime


Tássia Mirella foi encontrada morta na sala do apartamento, sem roupas e ferida à faca no pescoço. Foto: Facebook/Reprodução
Apesar de não ser considerado, oficialmente, um suspeito da morte da fisioterapeuta Tássia Mirella Sena de Araújo, de 28 anos, o vizinho da vítima foi levado para a sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa para ser ouvido horas depois do crime e passará a noite no DHPP. De acordo com o gestor da especializada, delegado Ivaldo Pereira, o homem - que não teve a identidade divulgada - conversou informalmente com a polícia e apresentou contradições sobre onde estava no momento do crime. Nesta noite, acompanhado de dois advogados, ele prestou depoimento até 21h, mas usou seu direito de só se pronunciar na Justiça. Peritos voltaram ao hotel, nesta noite, para novas análises. O enterro de Tássia Mirella será nesta quinta-feira, às 11h, no Cemitério de Santo Amaro. 

Segundo Ivaldo Pereira, o vizinho, que mora no apartamento em frente ao da vítima, só foi encaminhado para o DHPP porque se recusou a abrir a porta pela manhã. Os policiais conseguiram entrar no apartamento dele - que tinha manchas de sangue na porta - com o auxílio de um chaveiro. "Ele foi o único morador a impedir o acesso da polícia e tinha arranhões no braço. Trouxemos ele para conversar e fazer o exame de corpo de delito", detalhou o delegado. Ao entrar no flat, ele foi encontrado deitado em seu quarto.

A polícia tem até as 13h desta quinta-feira para decidir se o homem é suspeito do crime e entrar com um pedido de prisão. O gestor do DHPP aguarda o resultado das perícias no apartamento da vítima e o laudo do corpo de delito para definir o envolvimento do homem no crime. Enquanto isso, o vizinho permanece no DHPP.

Durante as conversas desta quarta, no entanto, o homem já entrou em contradição. Disse que estava em um bar no horário do crime, mas depois mudou a história e disse que estaria em um posto de gasolina. Antes do depoimento oficial, ele foi encaminhado - algemado e com uma touca ninja (balaclava) - ao Instituto de Medicina Legal para fazer o exame de corpo de delito. 

Na tarde dessa terça, Tássia Mirella postou em seu perfil no Facebook hashtags contra o machismo repercutindo a acusação de assédio contra o ator José Mayer. Foto: Facebook/Reprodução

O vizinho da vítima disse que os arranhões foram causados em uma briga que ele teve com um transeunte e por isso estava com as escoriações. O delegado Francisco Océlio é o responsável pelo caso. Às 11h da quinta, haverá uma coletiva de imprensa onde a polícia adiantou que vai detalhar a dinâmica do crime. 

Através das redes sociais, familiares e amigos de Tássia Mirella agendaram uma mobilização, na tarde desta quinta-feira, às 13h, no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, em Joana Bezerra. O ato foi programado para impedir a soltura do vizinho. Mais informações através da página do evento no Facebook.

O caso
A fisioterapeuta Tássia Mirella Sena de Araújo foi encontrada morta, na manhã desta quarta-feira, sem roupa, na sala do flat em que morava, no 12º andar do edifício Golden Shopping Home Service, na Rua Ribeiro de Brito, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Vizinhos disseram que, por volta das 7h, ouviram gritos e acionaram o funcionário do prédio, que chamou a polícia. O corpo da vítima foi encontrado na sala do imóvel sem roupas e com ferimento à faca no pescoço, além de cortes nas mãos. Mirella, que é de Vitória de Santo Antão, formou-se em fisioterapia pela Unicap e trabalhava como vendedora produtos hospitalares.

Ordem dos Adgovados do Brasil
O advogado Abraão Nascimento entrou com uma representação na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE)  denunciando obstrução da polícia no contato dele com o cliente. Segundo o advogado, somente por volta das 20h ele conseguiu falar com o homem, que estava detido desde as 13h.


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