terça-feira, 8 de agosto de 2017

Pedro Corrêa tem delação homologada por Fachin



Ex-deputado detalhou repasses de propina e reuniões com o ex-presidente Lula


Marcela Balbino



   Após 18 meses, delação de Pedro Corrêa foi homologada

Após ser negada pelo ministro Teori Zavascki, a delação premiada do ex-deputado Pedro Corrêa (PP) foi homologada pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi confirmada pelo desembargador aposentado Clóvis Corrêa, advogado e primo do político, e por Fábio Corrêa, filho do ex-parlamentar. A negociação durou quase um ano e meio.


Segundo Clóvis, foram os procuradores da Lava Jato quem ligaram para o ex-deputado informando que a colaboração havia sido homologada. Havia uma expectativa que o pedido saísse, porque em seu depoimento o ex-parlamentar detalha a relação com Lula e os esquemas na Petrobras. O depoimento ao juiz Sérgio Moro foi feito via videoconferência, em junho, na sede da Justiça Federal.


Pedro Corrêa cumpre prisão domiciliar no Recife. Desde que voltou, ele passou por duas cirurgias. De acordo com Clóvis, tanto Moro quanto o MPF ficaram satisfeitos com o conteúdo da delação. No depoimento, o ex-deputado contou como começou o esquema de corrupção na Petrobras. O político explicou que, quando era presidente do PP, negociou espaços ministeriais com o ex-presidente Lula. Ele citou, ainda, que o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa em um episódio deu o dinheiro destinado ao PP para o PMDB.


Teori Zavascki, morto tragicamente no dia 19 de janeiro, havia rejeitado o conteúdo e devolvido o processo ao Ministério Público Federal (MPF). Mesmo sem ter sido homologado, o depoimento de Corrêa foi usado pelo juiz Sergio Moro para condenar Lula no caso triplex.


DESVIOS

O ex-parlamentar mencionou desvios em ao menos dois contratos da Petrobras: o da Refinaria Abreu e Lima e o da Refinaria do Paraná. "Esses contratos tinham recursos que vinham para o partido", afirmou o ex-deputado, que teve o mandato cassado em 2006 por quebra de decoro parlamentar.


Corrêa disse que a bancada do partido na Câmara escolheu o deputado José Janene (PP-PR), já falecido, e o doleiro Alberto Yousseff como operadores de propina e responsáveis pelos encontros com executivos de empresas prestadoras de serviços à Petrobras para combinar os recursos a serem desviados.


O ex-deputado contou que era próximo de Lula à época, levou para a videoconferência fotos de reuniões do Conselho Político da época e disse que se encontrava com o então presidente da República "pelo menos duas vezes por mês, como presidente do partido."


Questionado pelo advogado de Lula, Cristiano Zanin, sobre modificações que teria feito nos depoimentos prestados ao MPF, com o qual negociava acordo de delação premiada, Corrêa confirmou que fez retificações nos anexos referentes ao ex-presidente da República.


Procurada, a assessoria do Supremo Tribunal Federal informou que não poderia confirmar a informação, pois o processo está sob sigilo.


Postar um comentário